VINHO & ROLHAS: CORTIÇA OU NÃO?

SCREW CAP
A busca por formas de vedação de garrafas (ou mesmo as velhíssimas ânforas) de vinho passou por todas as diversas escalas de inventividade e praticidade humanas, caminhando do intuitivo ao científico, dos materiais apenas e tão somente disponíveis aos tecnologicamente elaborados.

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Além da capacidade intelectual humana de desvendar propriedades físicas adaptáveis à proteção e conservação da bebida, que culminou na utilização das rolhas de cortiça, outros fatores atualíssimos como a disponibilidade de matéria-prima pesaram muito nas chamadas formas alternativas como o plástico, o vidro, a rosca (screwcap) etc.

 

O que era um “probleminha” eventual, a contaminação de rolhas de cortiça por fungos que deterioram o vinho, ganhou amplitude na medida em que as garrafas de vinho atingiram preços pouco imagináveis séculos atrás. Então os preços mais que exagerados, o “cheiro de rolha” e a falta de novas florestas que forneçam a base das rolhas (os sobreiros) motivaram a pesquisa de materiais mais baratos, de fácil acesso e de baixos índices de contaminação ou influências negativas sobre os vinhos.

Todas as formas de vedação pós-rolha (excluiremos obviamente a cera e o pano) tem seus méritos e defeitos, seus românticos defensores ou pós-modernos detratores. As propriedades físicas da cortiça, sua porosidade e adaptação ao gargalo, fizeram história e contribuiram para a indiscutível “classicidade” das rolhas, com todo o charme dos protocolos de abertura de uma bela garrafa.

rolhas1

Nem pretendo discutir e/ou defender cada estilo de conservação, mas vejo e ouço com atenção as opiniões daqueles que trabalham com o vinho, que possuem suas cantinas e engarrafam seus vinhos. Eles com o tempo vão aprendendo não só o “que” é melhor, mas antes “qual” material se adapta melhor à cada estilo de vinho. Por exemplo, é bastante plausível que arrolhemos vinhos com baixo potencial de guarda com rolhas sintéticas, “economizando” rolhas de cortiça.

Aqui exatamente reside a minha temática: a preservação de matéria-prima passa necessariamente pela palavra de ordem do planeta que é a “reciclagem”!

Estimativas recentes falam em uma produção anual de 12 bilhões de rolhas de cortiça! Mas as operações de reciclagem não se destinam ao reaproveitamento original desta cortiça mas de sua transformação em matéria que visem outras finalidades como revestimentos, peças de decoração, reutilização em indústrias aerospaciais e automotivas entre outras coisas como a geração de energia elétrica.

No ano de 2011, na região de Champagne (França), se coletou rolhas usadas atingindo a cifra de 40 mil peças em apenas três meses, que seriam revertidos em fundos de conservação do patrimônio histórico, tal como a restauração da famosa rosácea da Catedral de Reims.

 

Enfim, cada novo material vai mostrando suas qualificações mas além disso, vimos nascer uma nova consciência de utilização e exploração de recusrsos naturais que podem favorecer ao fim de uma longa cadeia de eventos, a manutenção de uma paisagem histórico-cultural, que pode ser seguida por todas as comunidades vitícolas do planeta! E viva a rolha (e seus coadjuvantes que ajudam a preservá-la)!

 

Santé!
por André Logaldi
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2 comentários Adicione o seu

  1. Sergio Mendes disse:

    Trabalho numa loja de vinhos,então ouço dos clientes quase sempre a mesma :
    Vinho sem rolha perde a graça. Tento explicar as mudanças dos tempos,mais não adianta….. Só com o tempo mesmo pode mostrar-lhes outros caminhos.
    Parabéns pela matéria!!!!
    Sergio Mendes

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    1. selo7s disse:

      Olá Sérgio,

      Obrigada pelo seu cometário. Que bom saber que nossas experiencias podem contribuir!
      Continue nos acompanhando, ter um feed back é super importante.
      Um grande abraço,
      Selo 7 Sommeliers
      Cheers.

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