SELO 7 S PELO MUNDO – SANTA CATARINA

Viagem a Santa Catarina (parte 02)

Queridos confrades, continuando o relato sobre as minhas aventuras em terras catarinenses, chegou a hora de contar um pouco do que foi a deliciosa experiência em conhecer a Villa Francioni. Numa manhã fria e chuvosa, nós saímos do meio oeste catarinense em direção a Serra Geral, uma barreira natural que divide o estado entre a planície costeira e os planaltos de altitude do interior.

Entrada da vinícola, com os vinhedos carregados.
Entrada da vinícola, com os vinhedos carregados.

Deixamos nossas tralhas num hotel de Lages e partimos para São Joaquim, onde está localizada a vinícola. Por estas bandas, o relevo e a vegetação mudam completamente em relação ao meio oeste. O terreno é muito mais acidentado, o solo é mais pedregoso e a vegetação dominante é a Mata Atlântica.

A história da Villa Francioni é, em alguns aspectos, semelhante a do Villaggio Grando. Tudo começou com o sonho e a perseverança de um homem. Manoel Dilor de Freitas foi um empresário de muito sucesso; em 1966 ele fundou em Criciúma a Cecrisa, uma das maiores empresas nacionais do setor de revestimentos cerâmicos. No final da década de 1990, devido a sua paixão por vinhos, Dilor decidiu que iria ter a sua própria vinícola em terras catarinenses; e mais, queria que seus vinhos tivessem identidade própria, caráter, personalidade e, é claro, qualidade bem acima da média.

Ele começou a pesquisar informações, viajou para os quatro cantos do planeta, visitou as regiões mais emblemáticas e aprendeu muito com alguns dos maiores especialistas. Com todo esse conhecimento adquirido, comprou terras nos municípios de São Joaquim e Bom Retiro e começou a selecionar as melhores variedades. Ao mesmo tempo, iniciou a construção das instalações da vinícola. Ele também sabia que precisaria ter um excelente enólogo no comando de todo esse projeto. Apresentou a idéia ao renomado enólogo gaucho Orgalindo Bettu, especialista em vinhos de corte ao estilo de Bordeaux. Com “carta branca” para fazer o que quisesse, Bettu aceitou. [rindo] Sorte nossa, sem dúvida.

Enólogo Bettú e eu, na sala de degustação.
Enólogo Bettú e eu, na sala de degustação.

As primeiras mudas, vindas da Itália e da França, foram plantadas em 2000. Começaram com Chardonnay, Sauvignon Blanc (brancas), Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Pinot Noir, Petit Verdot, Malbec, Syrah e Sangiovese (tintas). As instalações ocupam um enorme complexo de mais de 4 mil metros quadrados e com capacidade para produzir 300 mil garrafas. Dividida em seis níveis (andares), a vinícola utiliza a força da gravidade para movimentar o vinho nas diferentes etapas da produção. O processo de engarrafamento é todo automático, sem contato humano e os vinhos são armazenados em barris de carvalho francês. A colheita é totalmente manual e ocorre somente nos horários de temperatura mais amena, a fim de evitar a indesejada fermentação selvagem.

Em 2004, tudo estava pronto para a inauguração. Mas, por um capricho dos deuses, o senhor Dilor sofreu um infarto e veio a falecer no dia 25 de Agosto; sem ver o seu sonho finalizado. São nesses momentos que a gente percebe como nós somos pequenos e que temos muito que aprender sobre a Vida…

Os impressionantes andares da adega.
Os impressionantes andares da adega.

Aceitamos o convite da Daniela de Freitas, filha do fundador e atual presidente do conselho da empresa, para conhecer todo o projeto. A chuva da manhã havia “dado um tempo”, quando passamos pela entrada da propriedade e avançamos pelos vinhedos repletos de cachos maduros em direção à vinícola. Daniela e Bettu nos aguardavam na porta. A visita foi incrível, o prédio é deslumbrante e os equipamentos, de ponta. Pudemos ver como a gravidade funciona em todo o processo, passamos pelas cubas de fermentação e visitamos as adegas de barricas de carvalho. Tudo é impressionante e, ao mesmo tempo, despojado e sem ostentação. Bettu respondeu com paciência franciscana todas as questões técnicas que levantamos e Daniela se encarregou de nos deixar a vontade. Ao final do tour, fomos para a sala de degustação avaliar alguns vinhos. Minhas impressões foram:

O VF Sauvignon Blanc 2011 não passou por madeira e se apresentou fresco, com acidez destacada e aromas marcantes de frutas cítricas, flores do campo e bem mineral. Foram produzidas apenas 8.000 garrafas. O VF Rosé 2011 se saiu muito bem; apresentando coloração de “casca de cebola”, acidez e álcool bem equilibrados e aromas de groselha, rosas, alecrim e especiarias. Surpreendeu muito. Em seguida, começamos a degustar os tintos e as boas surpresas continuaram. O VF Francesco 2007, um corte de Cabernets, Merlot, Malbec e Syrah, estava excelente. Ótimo equilíbrio entre acidez, álcool e taninos, com a marcação de madeira bem encaixada com os aromas frutados e de especiarias. Sem dúvida, um belo vinho que poderia ser de qualquer lugar do mundo e não faria feio.

Os vinhos degustados.
Os vinhos degustados.

Depois veio o Vila Francioni Tinto 2006, outro corte bem executado que se mostrou mais potente, encorpado e que ainda irá evoluir bem por mais alguns anos. Só foram produzidas 9.000 garrafas dessa maravilha !!! …….. Para fechar com taça de ouro, serviram o incrível VF Michelli 2006, um corte inusitado de Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Merlot, que mostrou um surpreendente balanço entre potência, estrutura e elegância. Neste caso, a produção foi à conta gotas, miseras 2.700 garrafas.

O dia começava a avançar pela tarde quando fomos convidados a almoçar na casa sede da família. Serviram um típico cardápio sulista, muito bem feito e que combinou muito bem com os vinhos. Mais descontraídos, Daniela e Bettu contaram “casos curiosos” do mundo do vinho e da região, planos para o futuro e, como Dilor, falaram de mais alguns sonhos que, na mão dessa gente competente, logo-logo se transformarão em realidade.

Para resumir a nossa experiência com os vinhos da Villa Francioni, eu diria que o que mais me surpreendeu foi a consistência/qualidade. Todos os vinhos degustados apresentaram uma estrutura muito sólida que se manteve mesmo depois de algumas horas já abertos. Nossa viagem por essas terras nos apresentou Villaggio Grando e Villa Francioni, produtores de primeira linha. Saímos de lá muito bem impressionados e orgulhosos, Habemus Vinum !!!
Por André Monteiro

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