SELO 7 S PELO MUNDO COM ANDRÉ LOGALDI: PROVENCE

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CHATEAUNEUF-DU-PAPE: A ELEGÂNCIA DE DIZER “NÃO”!

Acabo de voltar de viagem pelo sul da França e não posso me furtar de apregoar a mais velha das novidades: o Hexágono gaulês continua maravilhoso em termos enológicos!

Ícone aclamado do sul do Vale do rio Rhône, na França meridional, a denominação Chateauneuf-du-pape se mostra com uma classe tão invejável quanto quase intocável, por mais que a modernidade tente ditar a voga do gosto. Nunca provei tamanha elegância igual à destes “vinhos que dizem não”! Vários fatores contribuem de modo incisivo para isso, a degustação não nos deixa mentir. Vamos listar alguns!

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Desde 1929, sete anos antes de receber sua AOC (antiga “Appélation d’Origine Controlée, atual AOP desde 2009), os vinhos tintos da região podem utilizar até treze castas, entre tintas e brancas, talvez o segundo maior blend oficial do planeta (atrás dos vinhos do Douro), o que permite uma flexibilidade gustativa ímpar. Alguns produtores usam todas as uvas, alguns usam apenas a Grenache Noir, outros o também tradicional corte GSM (Grenache-Syrah-Mourvèdre) associado a algumas poucas castas, enfim, trata-se de uma verdadeira “poção mágica gaulesa”!

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Entre os brancos, o leque cai um pouco mas as singularidades se apresentam também firmes, com vinhos em que predominam ora a Grenache Blanc, ora a Roussanne ou mesmo com a dominância da Clairette, caso do Domaine du Pegau, que me encantou nesta recente visita. Aliás, este Domaine nos recebeu de modo caloroso e atencioso elabora grandes vinhos (já ganharam 98 de Parker, o que fere a “regra” de dizer que ele só aprecia blockbusters). Pegau é a tradição em estado bruto, aliando a modernidade em doses homeopáticas: seu estupendo Chateuneuf branco com 60% de Clairette passa em tanques de inox, mas não desengaça as uvas, não passa por controles de temperatura, nem usa leveduras selecionadas, muito menos barricas de carvalho novas e claro, nada de filtração!

As uvas muitas vezes são plantadas juntas, com uma arquitetura do tipo arbusto, sem nenhum fio de condução da videira, com uma única exceção que é a Syrah. Passeie pelos vinhedos e tente adivinhar quem é quem, se tiver fios, é Syrah!

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Os tintos não passam em barricas, ficam em grandes tonéis de carvalho velho, às vezes por 4 anos ou mais, lembrando o estilo de grandes Barolos, todavia com taninos infinitamente mais elegantes e estruturados na opinião deste que vos escreve.

Tivemos uma degustação memorável com destaques para os Domaines Lucien Barrot, Pegau (fantástico Cuvée Laurence 2008), de Christia, Giraud, fechando com um excepcional vinho que foi o Domaine du Grand Tinel “Cuvée Alexis Establot” 2006!

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Se alguém tem viagem em planejamento e vai para a região de Rhône-Alpes-Provence, é altamente recomendável uma passada na charmosa vila de Chateuneuf-du-pape e agendar uma degustação ou visitar os vinhedos ou adegas que também cruzamos no caminho, como Clos de l’Oratoire e La Nerthe!

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À votre santé, amigos!

Por André Logaldi

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