Bourgogne ou Borgonha?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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APRENDENDO A VIVER A BOURGOGNE

Para muita gente entre os neófitos do vinho, a região da Bourgogne (em respeito aos nativos!) é naturalmente instigante. Porque quem se interessa por vinhos e busca uma informação mínima num livro que forneça os primeiros passos, saberá que se trata de uma região nobre e cheia de história. Não tenho intenção alguma de repetir as mesmas coisas que encontrarão nesses guias para iniciantes.

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Quero realçar as virtudes adquiridas pela região, colonizada pelos celtas e também os romanos, que merece nossa atenção porque possui referências historiográficas com base em documentos datados de 312 d.C.! Vejam só, atestavam que os habitantes de Autun suplicavam ao então Imperador Constantino uma redução de impostos para que pudessem se empenhar em recuperar algumas videiras próximas à cidade de Beaune!

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A Bourgogne, cujos “climats” (territórios específicos dentro de das áreas de Premiers Crus e Grands Crus) são candidatos a ocupar a posição de “Patrimônio Mundial da Humanidade” pela UNESCO, é também uma região que vai além de vinhedos excepcionais.

Sua área vitícola não representa mais de 2% das terras agrícolas da região, assim se diz que a Bourgogne vinícola “é uma gota de vinho num oceano de cereais e legumes, florestas e prados”! Detém menos de um quarto da superfície de vinhedos de Bordeaux, por exemplo. Todavia a Bourgogne assusta os iniciantes porque tem três vezes mais denominações de origem controladas (as antigas AOCs, hoje AOPs) do que os bordaleses.

Mas voltando à história, os vinhos virão em outro momento, devemos sempre rememorar que após um longo período de trevas, a região se tornou no século XI uma das principais sedes dos “vinhos dos monges”.

Sobre a incrível divisão de vinhedos bourguignonnes, este “mosaico” compreende mais de 1200 “climats” ao longo de menos de 30 comunas, a superfície média é de 6,5 hectares, temos 100 “Appélations d’origine”, tudo isso somado à sabida predominância de vinhos de apenas duas castas (Pinot Noir parta tintos e Chardonnay para brancos) dá a noção da grandeza que há num universo pequeno e fragmentado.

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Houve um tremendo tumulto entre proprietários de vinhedos, produtores (vignerons), comerciantes de vinho (négociants) quando das delimitações destas “Appélations d’origine”! Os vignerons se restringiam às videiras e à prensa, os négociants compravam seus vinhos e os “melhoravam” utilizando-se as barricas e tonéis. No início do século XX se difundiu uma tentativa, com sucesso, de popularização dos conhecimentos enológicos o que fez muitos vignerons se arriscarem a fazer um “vinho completo”, o que irritou os négociants.

Mas no fim os verdadeiros vencedores das disputas foram os climats, cujas singularidades se sobrepuseram de certa forma aos homens, constituindo a noção de patrimônio.

Enfim, a Bourgogne é cheia de histórias, plena de complexidades que encantam e intimidam muitos consumidores! Mas são humanos, demasiadamente humanos e adoram partilhar seus tesouros com aqueles que, mesmo timidamente, se esforçam em compreendê-los. Este será um ponto inicial de várias “conversas” sobre a região. Aguardem novidades! Santé!

Por André Logaldi

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3 comentários Adicione o seu

  1. Ale Esteves disse:

    Gosto bastante das opiniões e como o André Logaldi escreve. Borgonha é realmente complicado, pela quantidade de apelações que tem, mas interessante saber um pouco mais da história.
    Abraço,

    Alessandra Esteves
    http://www.damadovinho.com.br

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  2. Vou de Vinho e Sapatilha disse:

    Como é bom receber em meu e-mail um post do Selo!
    O André é um Mestre!!!!
    Abraços e saudades!
    Bjs
    Ju

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    1. selo7s disse:

      Ju, ficamos felizes que você goste!!! E você tem que vir degustar com a gente 😉 Bjs

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